terça-feira, 12 de julho de 2011

A Sombra do Vento


Ganhei de aniversário um romance que queria ler há muito tempo... A Sombra do Vento, título original La Sombra Del Viento. O romance foi escrito pelo espanhol Carlos Ruiz Zafón. Dizem que ele é uma das grandes revelações literárias dos últimos tempos, mas eu nunca tinha lido nada dele, quem sabe a partir de agora?

O livro A Sombra do Vento me chamou atenção pelo enredo, um menino de onze anos é levado pelo para a um lugar secreto, misterioso... o Cemitério dos Livros Esquecidos: uma biblioteca, um labirinto de milhares de livros esquecidos, livros que precisam ser salvos... redescobertos... E é o que Daniel Sempere faz. Fascinado pelo romance que encontrou, Daniel procura mais detalhes sobre a obra e seu autor, entrando num caminho perigoso e sem volta...

Criado pelo seu pai desde pequeno, o rosto de sua falecida mãe apagado de sua memória... Daniel acredita que ao desvendar o mistério de A Sombra do Vento, será capaz de lembrar o seu rosto novamente... Será?

Eu simplesmente amei o livro. Ao ler tive aquelas sensações maravilhosas de não querer fazer mais nada além de ler... Ler. Saber. Saber o que está pra acontecer... E claro, além disto vem todos aqueles pensamentos que a obra me traz sobre os mais diversos assuntos....

Imagina como deve ser não conseguir lembrar o rosto da própria mãe? Imagina que ótimo uma biblioteca secreta? Com livros para serem resgatados... Imagina como não deve ser maravilhoso viver em um ambiente literário, repleto de amantes da literatura?

O que eu mais gostei no livro foi observar como o protagonista foi amadurecendo durante a narrativa, o modo como de uma criança ele foi mais e mais se tornando independente... A relação dele com o pai também é muito bonita, assim como a relação dele com o Fermím... Não quero falar muito mais da narrativa pra não estragar as surpresas... Espero que você leiam a obra um dia e venham comentar comigo!

Para aqueles que já leram, fica a pergunta... O que vocês fariam se estivessem no lugar do Daniel? Iriam tentar desvendar o mistério ou parariam logo após ao primeiro encontro com Laín Coubert?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A Menina que Não Sabia Ler

     Há um pouco mais de uma semana eu comecei a ler um livro escrito por John Harding entitulado Florecence & Giles, na versão para o português-brasil "A Menina que Não Sabia Ler". Há muito tempo queria ler este livro, li a sinopse da capa e achei interessante, a capa bonita, mas o que realmente me atraiu foi o título, pois não há como não me lembrar de "A Menina que Roubava Livros" e eu amei este último.Como foi uma leitura recente, pensei que nada melhor do que começar os meus pensamentos sobre esta leitura  com vocês... Já adianto que eu sou péssima para fazer resenhas, sempre dou detalhes demais... mas vamos lá.

A trama
     A história se passa na mansão Blithe House no ano de 1891 onde Florence, uma menina de 12 anos, vive com seu irmão caçula Giles. Blithe House é uma mansão um tanto sombria para duas crianças, pertencente ao seu ausente tio, homem com quem quem os dois irmãos nunca tiveram contato. Órfãos de pai e mãe, Florence e Giles foram praticamente criados pelos empregados da casa, em especial pela governanta Sra. Grouse.  Desde pequena ela e seu irmãos exploravam a mansão, eles podiam brincar em todos os cantos da casa, com exceção a um lado, um lado sombrio e proibido. E é com este lugar que Florence se depara num dia em que brincava de esconde-esconde com seu irmão. Neste lugar sombrio, ela encontra luz para sua vida e se deslumbra ao encontrar a biblioteca. Proibida de ler por ser mulher, mas fascinada pelos livros que a chamavam mas nada lhe diziam, Florence aprende sozinha a ler e se desdobra para que seu segredo não seja descoberto e ela seja castigada por ter desobedecido as ordens de seu tio. Acostumada a ter seu irmão como seu protegido e único companheiro, Florence se sente triste e sozinha quando Giles é mandado para a escola. Neste mesmo tempo ela tem momentos de prazer na sua torre de leitura e na companhia de seu novo amigo Theo. 
     Tudo vai bem e calmo na melancólica Blithe House até o dia que Giles é mandado de volta para casa por não ter se adaptado bem ao colégio, e é enviado uma preceptora para ensiná-lo. Depois da morte inexplicada de uma primeira, chega à mansão uma nova preceptora, A Srta. Taylor e a partir daí o tom da narrativa se altera drasticamente. Coisas estranhas começam a acontecer e Florence tem fortes suspeitas de que a preceptora é perigosa e quer fazer mal ao seu irmão. O mistério reina entre eles e como é que Giles parece não notar? Quem é esta mulher e por quem ela foi enviada? Porque ela parece exercer uma terrível fascinação sobre o seu irmão? De quem é esta imagem no espelho?
     Uma narrativa emocionante, um pouco tediosa no início mas que assume um ritmo veloz e eletrizante, com algumas conclusões um tanto quanto previsíveis, mas com um final realmente supreendente. "A Menina que Não Sabia Ler" é  uma narrativa de mistério, opressão e, sim, horror.

Sim ou não?
     Sim, gostei da história. Devo  dizer que no começo eu pensei "legal, mas nada demais", mas depois eu realmente comecei a gostar. Eu amo quando "eu não quero parar de ler". Não que eu já não tenha lido livros bem devargazinho, claro que sim. Mas nada melhor do que ler um livro e querer terminar, chegar ao fim logo.

The Yellow Wallpaper, Charllote Perkins Gilman e "A menina que não sabia ler"
     Foi impossível para mim não fazer uma conexão entre o conto "The Yellow Wallpaper" e "A menina que não sabia ler". São narrativas bem diferentes, mas ao mesmo tempo têm pontos de convergência. Por exemplo, em ambas existe a narração em primeira pessoa feita por uma mulher oprimida por um homem. No caso da esposa de John, em "The Yellow Wallpaper", apesar dele a tratar bem, ela era proibida de escrever "para o próprio bem"; já em "A menina que não sabia ler" temos uma criança que vive sozinha em uma mansão proibida de ler por ser mulher e negligenciada pelo tio, que pode ser visto como um símbolo do poder masculino. Inicialmente você vai acreditando em tudo o que elas dizem, mas depois percebe que elas não parecem ser narradoras muito confiáveis, já que elas estão muito envolvidas emocionalmente com o que está sendo narrado e a narração começa a causar um certo estranhamento. O final de ambas histórias causa um certo "boom" e você fica "uuaau" (essa última descrição foi muito objetiva, né? hihihih).

Mulheres oprimidas intelectualmente
     Não é novo para nós que várias mulheres ao longo da história da humanidade foram proibidas de se educarem justamente por serem mulheres. A maioria delas se contetaram em ficar em casa, fazer comida, cuidar dos filhos e maridos, algumas desafiaram as convenções e lutaram pelo que queriam, outras enlouqueceram e outras se mataram. Se esta proibição causou um impacto grande na vida de mulheres  crescidas, imagina como não afetou a vida de uma menina de 12 anos. Isto foi a primeira coisa que pensei ao terminar de ler o livro. 

Florence & Giles
     O irmão dela era tudo o que ela tinha, ela já estava acostumada a cuidar dele, ele era a conexão dela com algo próximo com viver em sociedade. De repente ele é levado para longe e ela se sente abandonada. Quando ele retorna ao lar ela se vê completa novamente. Mas de repente chega esta estranha e misteriosa mulher ameaçando levá-lo de sua vida novamente... Por quê?

Pessoal, vou ficando por aqui... Espero que tenham gostado do meu primeiro pensamento despejado na  Penseira Literária. Estou deixando um link para quem tiver a curiosidade de ler o conto "The Yellow Wallpaper". É muito bom...


The Yellow Wallpaper

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Literatura

     O primeiro post do blog "Penseira Literária" não podia falar de outra assunto além de literatura. Não é muito fácil falar de literatura pois o próprio conceito de literatura é muito amplo... Ainda lembro das minhas primeiras aulas onde vimos que literatura pode ser tanto "o conjunto de obras escritas produzidas" (não me pergunte a fonte, pois já não me lembro) como também uma classificação para um conjunto de obras como "literatura infanto-juvenil"...
     O que eu sei é que quando eu penso em literatura, eu não estou me referindo apenas a livros, mas também ao cinema, às artes. E é com este olhar para uma literatura mais abrangente que eu criei este blog. A intenção é falar de literatura de um modo mais amplo e informal. Não quero falar apenas sobre os cânones da literatura, privilegiando Machado de Assis a Paulo Coelho e William Shakespeare a J.K. Rowling, dentro da "Penseira Literária" há lugar para todos. Tanto porque por muito tempo mulheres, negros e pobres não tinham sequer o direito de escrever; então, de que modo eles podem fazer parte do cânone daquela época?
     Eu não sou uma pessoa muito organizada na minha escrita, acredito que do mesmo modo que falo e penso em coisas aleatórias eu acabo escrevendo, acabo pulando de um assunto para o outro com rapidez e isto é algo que tenho que trabalhar. Isto é um aviso. 
     Conforme o tempo vai passando irei postando comentários sobre algo que li ou ouvi por aí sobre algum assunto. Pretendo fazer uma lista de livros que eu tenho que ler este ano sem falta, mas já aviso que não vou me prender a lista, pois eu acabo perdendo o entusiasmo para alguma leitura e encontrando outra que me fascina e o mais importante é a leitura.
    Bem, acho que é só. Este negócio de criar blog novo dá trabalho, mas também me deixa animada. Ansiosa. Louca pra começar a escrever...